ADUnB participa de cerimônia em memória de Paulo de Tarso Celestino
Em uma cerimônia marcada pela memória e pela reparação, o Estado brasileiro emitiu, na quinta-feira (2), um pedido público de desculpas à população e à família de Paulo de Tarso Celestino da Silva. Realizado no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), o ato integrou as ações da Coordenação-Geral de Políticas de Memória e Verdade, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
A cerimônia reuniu autoridades, familiares, amigos e pessoas que acompanharam a trajetória acadêmica e política de Paulo de Tarso. Participaram da solenidade a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello; a reitora da UnB, Rozana Naves; o chefe da Assessoria Especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade, Hamilton Pereira; além do sobrinho de Paulo, João Paulo Tavares Celestino, e de seu ex-companheiro de militância, Jarbas Marques.
Formado em Direito pela UnB em 1967, Paulo de Tarso destacou-se como uma das principais lideranças estudantis da universidade. Segundo o relatório da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade, teve atuação decisiva na defesa da instituição e da democracia. Em 1965, exerceu a vice-presidência e a presidência interina da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília, período em que assinou ofícios em defesa de professores demitidos por motivos ideológicos.
A atuação política fez dele alvo da repressão. Documentos dos órgãos de segurança o classificavam como um dos principais articuladores dentro da UnB em defesa da democracia. Após a graduação, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN) e, sob o codinome "Vovô", tornou-se um dos comandantes da organização. Foi preso em 12 de julho de 1971, no Rio de Janeiro, e permanece desaparecido até hoje.
A solenidade também relembrou a perseguição sofrida pela UnB durante o regime militar. Entre 1964 e o fim da década de 1970, a universidade foi alvo de sucessivas invasões e intervenções. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 1965, quando a repressão levou à demissão coletiva de 223 professores, que deixaram seus cargos em protesto. Além de Paulo de Tarso, o ato homenageou outros estudantes da UnB que se tornaram desaparecidos políticos, como Honestino Guimarães e Ieda Santos Delgado.
Durante a cerimônia, a ministra Janine Mello ressaltou o reconhecimento da responsabilidade do Estado pelas violações cometidas durante a ditadura. Em seu pronunciamento, afirmou que "o Estado brasileiro pede desculpas pela violência que lhe foi imposta, pelo sofrimento causado por seu desaparecimento, pela longa espera pela verdade, justiça e pelas profundas marcas deixadas por uma atuação estatal incompatível com a dignidade humana e com os princípios do Estado Democrático de Direito".
As diretoras da ADUnB Maria Luiza Pereira e Jodette Amorim participaram da cerimônia, representando o sindicato e prestando solidariedade aos familiares e amigos das vítimas da ditadura na UnB. A presença da entidade reafirma seu compromisso com a preservação da memória, da verdade, da justiça e em defesa da reparação, bem como a valorização da trajetória de docentes, estudantes e técnicos perseguidos, cassados e demitidos pelo regime militar.
Honrando o legado de Paulo de Tarso Celestino da Silva, Honestino Guimarães e Ieda Santos Delgado, estudantes desaparecidos na ditadura, continuamos em luta na defesa da democracia pela soberania brasileira.
Publicado em 03 de julho de 2026