Assembleia decide pautar indicativo de greve
Reunidos em assembleia nesta quarta-feira (6), professores e professoras da Universidade de Brasília (UnB) aprovaram novas ações pela suspensão da absorção da URP. Entre as deliberações, está a inclusão do indicativo de greve na pauta da próxima assembleia, marcada para 14 de maio. A decisão responde à ameaça do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) de ampliar para 100% o percentual de absorção. Também foi aprovada uma agenda de mobilização da categoria entre os dias 11 e 15 de maio.
Atualização das negociações sobre a URP
Durante os informes, a diretoria da ADUnB apresentou o cenário atual das negociações com o MGI. Na terça-feira (5), houve uma reunião com representantes do Ministério, da Universidade e do sindicato, solicitada previamente pela Reitoria da UnB.
Na ocasião, a Universidade apresentou questões técnicas relacionadas à incidência da absorção nas progressões múltiplas, além das promoções e progressões funcionais. Também foi solicitada a reabertura do módulo do sistema da folha de pagamento para possibilitar a reversão da absorção.
A diretoria da Associação dos Docentes da UnB - Seção Sindical do ANDES-SN (ADUnB) reforçou os pontos já apresentados pela Reitoria e voltou a defender a inclusão dos docentes ingressos a partir de novembro de 2023 no pagamento da URP, o fim dos descontos aplicados aos aposentados e aposentadas e a suspensão da absorção até a conclusão das negociações ou o trânsito em julgado do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em resposta, o MGI afirmou que o módulo do sistema de pagamentos será reaberto apenas para aplicar a absorção integral dos reajustes, promoções e progressões. Segundo o Ministério, a medida decorre da recusa do Tribunal de Contas da União (TCU) em estender administrativamente o acordo celebrado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (SINTFUB), o que implicaria a aplicação imediata de Parecer de Força Executória de absorção de 100%.
Além da ampliação do percentual, o secretário de Relações de Trabalho do MGI, José Feijóo, indicou a possibilidade de cobrança retroativa dos 100% a partir de 24 de março de 2025, data do julgamento do mérito da ação pelo STF. O Ministério informou ainda que avaliará juridicamente a incidência da absorção sobre progressões múltiplas.
A ADUnB manifestou indignação diante da possibilidade de ampliação para 100% de absorção. O sindicato solicitou que a proposta fosse formalizada pelo Ministério, o que não ocorreu até o momento.
Agenda de lutas
A categoria considerou desrespeitosa a posição apresentada pelo MGI e avaliou ser necessário intensificar a mobilização diante do cenário atual. Com o endurecimento da postura do Ministério, professoras e professores defenderam a construção do indicativo de greve como instrumento de fortalecimento da luta.
A avaliação e decisão sobre o indicativo de greve ocorrerá na próxima assembleia, na quinta-feira (14), às 15h30, no Auditório da ADUnB. Ao longo da semana, serão realizadas atividades de mobilização da categoria. O sindicato também solicitará uma nova reunião com a Reitoria da UnB para a sexta-feira (15).
▪️ Segunda-feira (11) — Reunião do Comitê de Mobilização (Sala de Reuniões da ADUnB, às 14h);
▪️ Segunda-feira (11) — Reunião com docentes que ainda não recebem a URP (Sala de Reuniões da ADUnB, às 16h);
▪️ Terça-feira (12) — Reunião com aposentadas e aposentados (Sala de Reuniões da ADUnB, às 16h);
▪️ Terça-feira (12) e quarta-feira (13) — Dias de mobilização da categoria;
▪️ Quinta-feira (14) — Assembleia com votação do indicativo de greve (Auditório da ADUnB, às 15h30);
▪️ Sexta-feira (15) — Reunião com a Reitoria (a confirmar).
Nota de Repúdio
A assembleia aprovou ainda uma nota de repúdio ao sequestro e prisão ilegais dos ativistas Thiago Ávila e Saif Abu Keshek pelo governo de Israel. O documento reitera a solidariedade da ADUnB ao povo palestino.
Publicado em 07 de maio de 2026