Docentes da UnB realizam ato no MGI em defesa da URP e entregam carta ao gabinete da ministra

Nesta quinta-feira (30), docentes da Universidade de Brasília (UnB) realizaram paralisação das atividades acadêmicas e um ato público em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em defesa da manutenção da Unidade de Referência de Preços (URP). A mobilização foi organizada pela ADUnB – Seção Sindical do ANDES-SN, após deliberação da categoria em assembleia realizada no dia 23 de abril. Durante a atividade, representantes da diretoria do sindicato e do comitê de mobilização “URP Fica!” entregaram um ofício e uma carta a um assessor do gabinete da ministra Esther Dweck.

A URP é uma parcela incorporada à remuneração dos docentes da UnB há décadas e tem sido objeto de disputas políticas, administrativas e judiciais ao longo do tempo. O cenário recente se agravou após o MGI definir, antes do trânsito em julgado do processo, a aplicação da absorção de 60% dos acréscimos remuneratórios, medida que visa reduzir gradualmente o valor da rubrica, seguindo lógica adotada nas negociações com os técnico-administrativos. Em abril, os efeitos da medida passaram a ser observados nas prévias de contracheques.

Esta foi a segunda paralisação com ato realizada pela categoria no mês de abril. Entre as principais reivindicações estão a suspensão da absorção até o trânsito em julgado da ação ou a abertura de negociação específica para os docentes, sem adesão automática aos termos pactuados com os técnicos. Também são defendidas a inclusão dos docentes ingressados após novembro de 2023 no recebimento da URP e a interrupção dos descontos aplicados aos professores aposentados.

O ato contou com a presença do deputado Fábio Félix (PSOL - distrital), da deputada Erika Kokay (PT - federal), de representantes dos gabinetes dos deputados Gabriel Magno ( PT - distrital) e Reginaldo Veras (PV - federal), além da pré-candidata a deputada Madu Krasny (PSOL - distrital), que manifestaram apoio à mobilização. Durante as falas, foi ressaltada a necessidade de diálogo com a comunidade universitária e de reavaliação da medida, destacando que a URP integra a remuneração dos servidores há anos e sua redução desconsidera uma conquista histórica.

Além disso, a presença do DCE demonstrou que os estudantes apoiam os docentes e, conforme menção em fala da presidenta da ADUnB, Maria Lídia Bueno Fernandes, revela a unidade das três categorias: docentes, técnicos e estudantes, que em conjunto com a Reitoria da UnB defendem a manutenção da URP.

Ao longo da manifestação, o microfone permaneceu aberto para intervenções da categoria. Também foi realizada a leitura de uma carta aberta à ministra do MGI, elaborada a partir de deliberação da assembleia, com reivindicações contrárias à absorção e em defesa da valorização docente.

Embora não tenha havido atendimento por parte do Ministério à solicitação de audiência após o ato, audiência previamente solicitada pela ADUnB ao gabinete da ministra Esther Dweck no dia 28 de abril, o sindicato conseguiu entregar os documentos à assessoria do gabinete. Foram entregues a carta aberta com as reivindicações e o ofício com a solicitação de reunião com o MGI

De acordo com o professor da UnB e diretor da ADUnB, Pedro Gontijo, a medida representa uma situação grave para a categoria. “O que está sendo feito com a categoria docente é um enorme absurdo, porque o processo ainda não transitou em julgado no STF”, afirmou. Segundo ele, a aplicação da absorção atinge diretamente os reajustes conquistados recentemente e desconsidera o estágio atual da ação judicial. Gontijo também ressaltou que a categoria nunca se colocou contra o diálogo. “Sempre estivemos abertos à negociação do que é de direito, mas até agora o que vemos é uma postura inflexível por parte do MGI”, destacou. 

Para a ADUnB, a mobilização é fundamental neste momento, por representar a defesa de um direito consolidado e pela expectativa de abertura de um canal efetivo de negociação. A categoria voltará a se reunir em Assembleia Geral Extraordinária na próxima quarta-feira, 6 de maio, às 15h30 em primeira convocação e às 16h em segunda convocação, no Auditório do Centro Cultural da ADUnB. Na pauta, o posicionamento na mesa de negociação sobre a URP e a definição do plano de lutas da categoria.

Publicado em 30 de abril de 2026

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