Docentes da UnB realizaram paralisação e ato na Reitoria em defesa da URP e da autonomia universitária

Aconteceu nesta quarta-feira (15) a paralisação dos docentes da Universidade de Brasília (UnB), com ato na Reitoria em defesa da manutenção da Unidade de Referência de Preços (URP) e da autonomia universitária. A mobilização foi organizada pela ADUnB-Seção Sindical do ANDES-SN.

A manifestação ocorreu após o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) estabelecer a absorção de 60% dos acréscimos remuneratórios, com o objetivo de reduzir gradualmente o valor da URP. Neste mês de abril, após informe da Reitoria de que seguiria as orientações do governo federal, servidores que recebem a rubrica já puderam observar a incidência da absorção na folha de pagamento.

A ADUnB apresentou como principais reivindicações a não absorção de qualquer percentual da URP até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 26.156, que assegura o pagamento da parcela à categoria docente. Também foram destacadas a situação dos docentes ingressados após novembro de 2023, que não recebem a URP em seus contracheques, a dos aposentados que vêm sofrendo descontos sobre esse valor, e a não incidência da absorção sobre progressões e promoções.

A mobilização teve início no Memorial Darcy Ribeiro (Beijódromo), de onde os participantes saíram em caminhada até a Reitoria, com bocas amordaçadas e cartazes que retomavam falas de Darcy Ribeiro sobre a universidade que defendia. Em silêncio, os manifestantes seguiram em filas e, ao chegarem ao prédio da administração central, subiram as escadas em gesto simbólico de protesto. Em seguida, foi realizada uma assembleia, com espaço aberto para falas da categoria.

A reitora da UnB, Rozana Naves, recebeu os docentes e afirmou apoio à categoria, indicando que a gestão pode atuar institucionalmente em defesa da abertura de mesa de negociação sobre a URP junto aos órgãos responsáveis.

A diretora da ADUnB, Maria Luiza Pinho Pereira, destacou que “a mobilização também é em defesa da autonomia universitária, a mesma que, em 1991, permitiu ao então reitor Antonio Ibañez Ruiz estender a incorporação de 26,05% da URP a todos os servidores da UnB”. 

A professora Eliene Novaes, docente da UnB e ex-presidenta da ADUnB, reforçou a importância da mobilização da categoria diante dos impactos já perceptíveis da medida. “Nós estamos em manifestação de professoras e professores para dizer a cada um que a gente não pode passar despercebido e se conformar com o que está acontecendo, pois a absorção tem um grande impacto e já está indicada na prévia dos contracheques”, afirmou. Ela também ressaltou a importância da participação nas assembleias e da mobilização entre os docentes, avaliando que a medida é intransigente, uma vez que não houve trânsito em julgado no STF. Além disso, defendeu a necessidade de unidade e força política da universidade para que a gestão resista e enfrente a imposição do MGI.

Ao final da atividade, os participantes encerraram o ato com gritos de “Fica URP”. A ADUnB segue em estado de assembleia permanente e realizará nova assembleia na próxima quinta-feira, dia 23, às 15h30, em primeira chamada, e às 16h, em segunda chamada, para debater os próximos encaminhamentos sobre a URP.

 

Publicado em 15 de abril de 2026

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