1º Círculo de Debate aponta caminhos para a soberania digital nas instituições de ensino superior
Em meio aos crescentes desafios impostos pela dependência tecnológica, o 1º Círculo de Debate “Desafios e estratégias para a soberania digital nas instituições públicas de educação superior no Brasil” foi realizado nesta quinta-feira (26), no auditório da ADUnB. Organizado pelo Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia do sindicato (GTCT), o encontro reuniu especialistas, gestores e a comunidade acadêmica para refletir sobre o domínio das big techs, bem como a urgência de construir autonomia nacional na infraestrutura digital e informacional.
Responsável pela mediação, a professora Michelli Costa (FCI/UnB) ressaltou que a soberania digital é um dos eixos estruturantes do GT de Ciência e Tecnologia da ADUnB. Destacou que o debate busca apontar caminhos concretos para superar o atual cenário de dependência tecnológica nas instituições brasileiras. “A soberania digital não é só um fim onde a gente quer chegar. Ela tem que ser o meio também por onde a gente anda, por onde passa a nossa prática de pesquisa e por onde a nossa prática docente caminha”, afirmou.
Ao longo do evento, diferentes contribuições evidenciaram os desafios e as possibilidades para a construção da soberania nacional. A professora Christiana de Freitas (FAC/UnB) chamou atenção para o oligopólio digital, no qual cinco grandes corporações concentram a maior parte da infraestrutura mundial, aprofundando uma dependência econômica (R$ 23 bilhões pagos por licenças pelas universidades brasileiras em 10 anos) e política que compromete a autonomia da produção científica, diferente da recente iniciativa de cooperação científica com o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS).
Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o secretário Henrique Miguel apresentou pontos do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e defendeu que a infraestrutura de dados e nuvem seja tratada como política de Estado, especialmente para resguardar informações sensíveis de áreas como saúde e pesquisa.
Já Marcelo Karam, secretário de Tecnologia da Informação da UnB, abordou os desafios cotidianos da gestão universitária, destacando as pressões econômicas e legais que direcionam as instituições para as soluções das big techs. Ele também enfatizou a relevância de iniciativas locais, como o Laboratório Multiusuário Institucional de Inteligência Artificial e Supercomputação (LMISup).
Com uma perspectiva histórica e cultural, o professor Leonardo Lazarte, representante da GigaCandanga, refletiu sobre o papel da universidade como espaço crítico na análise e no uso das tecnologias.
Por sua vez, Tiago Braga, diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), apresentou o conceito de soberania informacional, além de defender o resgate do software livre, da ciência aberta e criação da cultura informacional como estratégias para fortalecer a resiliência nacional frente ao domínio das plataformas privadas.
Encerrando o encontro, o Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia da ADUnB foi destacado como um espaço estratégico de articulação dentro da universidade. A iniciativa se consolida como um ponto de convergência para o aprofundamento do debate e para a formulação de ações concretas como política de Estado, com o convite aberto para que docentes da UnB integrem o grupo e contribuam ativamente na construção dos próximos passos.
Confira a transmissão ao vivo do evento.
Publicado em 27 de março de 2026