Investigações sobre o Banco Master avançam e população do DF já enfrenta os reflexos do rombo no BRB
O Banco de Brasília (BRB) tem até a sexta-feira (6) para apresentar ao Banco Central um plano de recomposição de caixa que viabilize o enfrentamento de um rombo estimado em R$ 5 bilhões, decorrente da compra de carteiras fictícias do Banco Master. O valor do prejuízo supera o patrimônio do próprio BRB, que em 2025 era de R$ 4,9 bilhões. Entre as alternativas analisadas para cobrir o déficit está o repasse direto de recursos do Governo do Distrito Federal (GDF). Embora essa possibilidade ainda esteja em avaliação, servidores e a população do DF já sentem os efeitos da política de cortes de gastos adotada pelo governo local.
Desde 2024, o BRB mantinha operações recorrentes com o Banco Master. Em apenas 12 meses, adquiriu mais de R$ 12 bilhões em papéis da instituição comandada por Daniel Vorcaro, o equivalente a cerca de 20% da carteira de crédito do banco estatal.
A cúpula do BRB avançou nas relações com o Master e chegou a propor a aquisição de 58% do capital total da instituição financeira. A iniciativa ocorreu apesar dos alertas da própria equipe técnica do BRB, que apontou o risco de uma crise de liquidez no banco a ser comprado. Ainda assim, o governador Ibaneis Rocha articulou a aprovação da operação, em agosto de 2025, pela Câmara Legislativa do DF (CLDF), tramitada em apenas uma semana. A transação bilionária, no entanto, foi barrada pelo Banco Central por apresentar riscos severos — avaliação confirmada poucas semanas depois, com a liquidação extrajudicial do Banco Master e a deflagração da Operação Compliance Zero. De acordo com as investigações, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria defendido a compra das carteiras do Master como forma de evitar a quebra da instituição.
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que se reuniu com o governador Ibaneis Rocha para tratar da compra do Banco Master pelo BRB, cujo acionista majoritário é o GDF. Diante dessas revelações, partidos de oposição protocolaram pedidos de impeachment do governador, com o objetivo de apurar possíveis irregularidades e atos de improbidade administrativa. Também são questionados os patrocínios do BRB a uma equipe de Fórmula 1 e ao Flamengo, além da aquisição, pelo governador, de um imóvel de luxo financiado em quase 90% pelo banco estatal. Paralelamente, avança o debate sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na CLDF para investigar as relações entre o BRB e o Banco Master.
“As investigações tornam cada vez mais claro que as transações realizadas pelo BRB com o Master não atenderam ao interesse público, mas serviram como proteção de um aliado político. Trata-se de uma situação grave, com impactos diretos sobre a população, que assiste à dilapidação de seu banco estatal ao mesmo tempo em que enfrenta o arrocho orçamentário nos serviços públicos”, afirma Pedro Mandagará, Diretor da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília – Seção Sindical do ANDES-SN (ADUnB).
Quem paga a conta
Embora o orçamento do Distrito Federal para 2026 tenha crescido 11,71%, os recursos destinados à saúde sofreram uma redução de R$ 245 milhões, enquanto a educação perdeu R$ 347 milhões. Os cortes colocam em risco a qualidade e a continuidade de serviços públicos essenciais. A proposta inicial apresentada no projeto de lei orçamentária era ainda mais severa, prevendo cortes de R$ 1,1 bilhão na saúde e de R$ 900 milhões na educação. As denúncias e a mobilização da sociedade, contudo, resultaram em um recuo parcial do governo em relação à dimensão dos cortes.
As medidas de contenção fiscal do GDF não se limitam a essas áreas. Foram cancelados R$ 49 milhões em emendas parlamentares destinadas às escolas, além da suspensão da impressão dos nomes dos estudantes nos uniformes. A Secretaria de Economia também publicou o Memorando nº 21/2026, que impõe restrições à venda de parte do tempo de licença-prêmio, afetando diretamente os direitos dos servidores públicos. Soma-se a isso o Decreto nº 48.125/2025, que limita a liberação orçamentária mensal a apenas 1/12 do total previsto para cada órgão, comprometendo o funcionamento de atividades, aquisições e outras demandas essenciais da administração pública.
“O governador Ibaneis Rocha e a vice-governadora Celina Leão não reúnem mais as condições políticas e administrativas para governar o Distrito Federal. A crise de credibilidade está instalada, comprometendo a capacidade de liderança do Executivo e aprofundando a desconfiança da sociedade sobre o atendimento das demandas sociais”, ressaltou Pedro Mandagará.
Com informações da Agência CLDF, Brasil de Fato e CNN Brasil.
Publicado em 05 de fevereiro de 2026