ADUnB relembra o 8 de janeiro e participa de ato em defesa da democracia
Hoje, completam-se três anos do dia em que a democracia brasileira foi atropelada. Em 8 de janeiro de 2023, o país viveu mais uma grave tentativa de romper a ordem democrática. Os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, integraram uma ação golpista que contou com a participação de milhares de cidadãos mobilizados contra o resultado das eleições que confirmaram, pelas urnas, a vontade soberana da população ao eleger o presidente.
Para romper com alguns dos reflexos e consequências do autoritarismo que atravessa a história brasileira, presente também no período da ditadura civil-militar, marcado pela ausência de julgamento e responsabilização dos responsáveis por graves violações de direitos humanos e pela naturalização da violência política, é fundamental que o país não repita os mesmos erros do passado. Nesse contexto, o debate em torno do Projeto de Lei da Dosimetria, que busca alterar critérios de aplicação das penas e pode resultar no abrandamento das punições impostas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, exige atenção e enfrentamento da sociedade. Qualquer tentativa de anistia representa um grave retrocesso e reafirma a tolerância com crimes contra a democracia.
Essas ofensivas atingem também a educação pública. A Universidade de Brasília carrega em sua trajetória as marcas da repressão impostas durante o regime militar, e nos últimos anos voltou a ser tensionada por ataques que buscam desacreditar a ciência, fragilizar o financiamento público da educação superior e transformar a universidade em alvo de discursos de ódio promovidos por setores da extrema direita.
Lembrar o 8 de janeiro é um ato político que reafirma o compromisso coletivo com a democracia que deve ser construída todos os dias.
Ato em defesa da Democracia
Aconteceu nesta quinta-feira (08), em Brasília, uma mobilização em memória do 8 de janeiro de 2023. A programação foi dividida em dois momentos: uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto, com autoridades e convidados, e, simultaneamente, o ato na via N1, em frente ao Palácio, convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais, em defesa da democracia e pelo veto ao PL da Dosimetria.O evento institucional foi transmitido ao público presente na área externa.
A ADUnB esteve presente nos dois espaços. A presidenta da entidade, Maria Lídia Bueno, a diretora Jodette Amorim e o diretor Pedro Mandagará participaram do ato oficial. Já outros diretores, técnicos administrativos, professoras e professores da Universidade de Brasília estiveram no evento público do lado de fora.
Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da memória e da responsabilização como pilares da democracia. “Não temos o direito de esquecer do passado. Por isso, não aceitamos nem ditadura civil nem ditadura militar”, afirmou. Em sua fala, Lula ressaltou que o ato simboliza o momento político vivido pelo país: “Esse ato de hoje é uma exaltação a esse momento que estamos vivendo, momento de manutenção do Estado Democrático de Direito”.
O presidente também destacou o significado histórico da data. “O 8 de janeiro está marcado na história como o dia da vitória da nossa democracia, vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas”, disse.
Na ocasião, Lula também anunciou o veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional. O veto foi recebido como uma resposta às mobilizações sociais. Após encerrar sua fala, o presidente desceu a rampa do Palácio do Planalto para se encontrar com o público que participava do ato na Praça dos Três Poderes.
Para o diretor da ADUnB, Pedro Gontijo, a mobilização cumpre um papel fundamental de memória e alerta. “O que aconteceu no Brasil há três anos é algo muito importante de ser lembrado para que nunca mais aconteça. Por isso, movimentos sociais, sindicatos, parlamentares e a sociedade em geral precisam se manifestar em defesa da democracia. Um futuro melhor depende da participação de cada um de nós”, afirmou.
Publicado em 08 de janeiro de 2026