Nota da Diretoria da ADUnB - Ataques à Venezuela acendem alerta para o Brasil e a América Latina
A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) manifesta seu veemente repúdio aos ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizados em 3 de janeiro, no âmbito da chamada Operação Resolução Absoluta. A ofensiva militar resultou em bombardeios a Caracas e a outras localidades do norte do país, na morte de cerca de 80 pessoas e no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, configurando uma grave escalada de violência e uma afronta direta à soberania venezuelana.
Ao contrário do que sustenta o presidente norte-americano Donald Trump, os ataques não se justificam por um suposto combate ao “narcoterrorismo”. Essa narrativa tem sido reiteradamente utilizada pelos Estados Unidos como pretexto para intervenções militares e políticas em países que não se alinham aos seus interesses estratégicos. Trata-se, na realidade, de uma demonstração de força e de uma tentativa de reafirmação do imperialismo norte-americano frente a governos que ousam assegurar seu protagonismo no uso dos seus recursos energéticos, minerais e decisões estratégicas como país soberano.
A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas mundiais de petróleo e possui uma indústria petroleira majoritariamente sob controle estatal. Além disso, abriga vastas riquezas minerais, incluindo terras raras e minerais críticos essenciais à produção de chips, baterias e tecnologias de ponta — recursos explorados sem a participação das grandes corporações norte-americanas. Não por acaso, Donald Trump anunciou publicamente a intenção de administrar o país e de transferir parte da exploração do petróleo venezuelano a empresas dos Estados Unidos, evidenciando o caráter econômico e geopolítico da ofensiva.
Desde a posse de Trump, intensificou-se o desrespeito à soberania venezuelana e a violação ao direito internacional por parte dos Estados Unidos. Deportações em massa de venezuelanos, ofertas de recompensas por informações que levassem à captura do presidente Maduro, o envio de submarinos, aviões e navios ao mar do Caribe, bem como ataques diretos a embarcações sob a alegação de combate ao tráfico de drogas, já demonstravam uma política externa agressiva e unilateral.
Os acontecimentos de 3 de janeiro acendem um alerta a todos os países da América Latina, especialmente diante das declarações de Donald Trump sobre a atualização da Doutrina Monroe e das ameaças explícitas dirigidas à Colômbia e à Groenlândia. Trata-se de um cenário que coloca em risco a estabilidade regional e a autonomia dos povos latino-americanos.
Para o Brasil, a situação é particularmente preocupante. O país faz fronteira com a Venezuela, possui expressivas reservas de petróleo e minerais estratégicos e ocupa posição central no cenário geopolítico sul-americano. Além disso, cresce internamente o apoio de setores da extrema direita ao discurso do “combate ao narcoterrorismo”, a mesma retórica utilizada pelos Estados Unidos para legitimar ações de ingerência externa, intervenções militares e o enfraquecimento da soberania nacional dos países da região. Esse alinhamento ideológico representa um risco concreto à política externa brasileira, historicamente baseada na defesa da autodeterminação dos povos e da solução pacífica de conflitos.
A ADUnB reafirma seu compromisso com a defesa da soberania política da Venezuela e da América Latina, com o respeito ao direito internacional, à multilateralidade, à democracia e à paz entre as nações.
Toda solidariedade ao povo venezuelano!
Publicado em 05 de janeiro de 2026