“Debate com Samba” marca o Dia Internacional dos Direitos Humanos

Os direitos humanos e sua relação com a democracia foram tema do evento “Debate com Samba”, promovido pela ADUnB nesta quarta-feira (10), no Centro Cultural do Sindicato. A atividade celebrou a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral da ONU, em 1948. Participaram do debate “Democracia em tempos difíceis: reinventar direitos e reinserir o humano na disputa pelo futuro” os professores Alexandre Bernardino (FD/UnB) e José Geraldo de Sousa Júnior (professor emérito da UnB), com mediação de Maria Luiza Pereira, diretora da ADUnB. Em seguida, o grupo “Samba da Guariba” apresentou-se ao público.

Alexandre Bernardino abriu sua fala destacando a violência política protagonizada contra contra o deputado Glauber Braga e aos seus apoiadores. O episódio foi marcado pela censura à imprensa e desligamento da TV Câmara. O docente pontuou que o fato evidencia a fragilização da democracia no Brasil, inserida em um fenômeno global que reúne lideranças como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Javier Milei e outros. Esse movimento de extrema direita, cada vez mais próximo do fascismo, assume hoje formas distintas das do passado.

O professor atribui essa regressão política à ascensão do neoliberalismo. O modelo foi inicialmente implantado sob a ditadura de Pinochet no Chile, pois exigia um ambiente autoritário capaz de suprimir direitos e aplicar a lógica do Estado mínimo. Disseminada pelo mundo, essa política passou a estimular a concorrência não apenas entre empresas, mas entre indivíduos, impondo um sentimento de culpa pessoal pelo fracasso. Nesse contexto, a fragilização da democracia torna-se condição para a reprodução do neoliberalismo. Por isso, afirma Alexandre Bernardino, o ataque aos direitos humanos é inevitável, já que eles expressam “o direito à existência digna, à solidariedade e à possibilidade de vivermos juntos”.

José Geraldo ampliou a análise ao destacar que o sistema econômico atual constrói uma representação simbólica e intelectual destinada a justificar a acumulação e a hierarquia, revestindo suas diretrizes políticas de uma falsa cientificidade. Assim, democracia e direitos humanos são interligados, porém não constituem um destino natural: dependem de construção permanente, escolhas e projetos políticos.

Para o professor emérito, o capitalismo representa um “fracasso”, tendo falhado em suas promessas de inclusão, igualdade e atendimento das necessidades humanas. Seu projeto, de base colonial, se sustenta na alienação do humano e na desumanização do outro, o que o torna estruturalmente racista, patriarcal e patrimonialista. Ele ressaltou ainda a importância da luta contínua, lembrando Nêgo Bispo: “tem o começo, tem o meio e tem o outro começo. Não tem fim”.

Após o debate, os participantes confraternizaram ao som do Samba da Guariba — que apresentou um repertório repleto de clássicos do samba — e desfrutaram de um coquetel.

“Discutir democracia e direitos humanos numa conjuntura tão complexa é fundamental. Precisamos estar sempre atentos para não sucumbir às armadilhas impostas pelo neoliberalismo e construir diariamente o país e o mundo que queremos, pautados na igualdade, no fim das opressões, na soberania e na justiça social”, avaliou Maria Lídia Bueno Fernandes, presidenta da ADUnB.

Publicado em 12 de dezembro de 2025

Galeria de imagens

Clique para ampliar
Compartilhe: