1º de agosto: manifestações são convocadas em todo o país em defesa da soberania brasileira

Nesta sexta-feira (1), data de início da taxação de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, movimentos sociais, sindicais e populares convocam atos em todo o país em defesa da soberania nacional. As organizações denunciam a ofensiva imperialista que ameaça a economia com prejuízos, desemprego e aumento da desigualdade social. As manifestações marcam a posição política contra a submissão do Brasil a interesses estrangeiros.

Em Brasília, o ato público acontece às 9h, em frente à Embaixada dos EUA.

Em entrevista ao jornal The New York Times, na quarta-feira (30), o presidente Lula (PT) informou que solicitou ao menos dez reuniões com o governo estadunidense, mas não obteve resposta. A posição dos EUA demonstra que não há interesse em negociar ou discutir economia de fato.

O presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou publicamente seu descontentamento com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e apontou essa situação como um dos motivos para a aplicação do “tarifaço”.

Ainda na quarta-feira (30), o governo dos Estados Unidos sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky — legislação que permite a punição de estrangeiros acusados de corrupção e violações de direitos humanos. A medida aprofunda o impasse entre os dois países, uma vez que uma das ferramentas mais contundentes da política externa norte-americana foi acionada contra o magistrado responsável por investigar a tentativa de golpe de Estado no Brasil, cujo réu é publicamente apoiado por Donald Trump.

Desde o governo Bolsonaro, o Brasil estreitou laços com figuras e instituições alinhadas ao trumpismo, abrindo brechas para ataques à soberania e à democracia. De acordo com a Pública, Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PL-SP) e um dos principais articuladores do “tarifaço”, realizou a 2ª edição de um congresso conservador importado dos EUA, o CPAC Brasil, e outros três eventos do Instituto Conservador Liberal, liderado pelo deputado, com patrocínio de uma rede social comandada por Jason Miller, um ex-assessor de Trump.

O Pix, sistema brasileiro de pagamentos, também está sendo investigado pelo governo estadunidense desde 2022. As instituições financeiras e empresas de cartões de crédito dos EUA temem a perda de espaço e de dinheiro com a expansão do Pix, especialmente com o avanço para a modalidade parcelada.

As mobilizações do 1º de agosto pautam ainda temas urgentes como o fim da escala 6x1, a taxação dos super-ricos, o veto ao projeto de devastação ambiental e o fim do genocídio em Gaza. É uma convocação ampla, que une trabalhadores e trabalhadoras em torno da justiça social, da paz e da soberania. 

 

Publicado em 30 de julho de 2025

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